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11 de setembro de 2013

Amanhecer





Não é difícil ver envelhecer o dia quando alaranja e vai sumindo no vermelho até ser negro.
Não é pesado caminhar a juventude com a primavera dos sonhos a bater nas janelas do peito
O mais difícil é trilhar sozinho de um lado do estado, quando em outro lado está aquilo que é tão meu
Mas pela metade se vai mais que adiante, porque o amor revive, ele não cansa
O amor reacende as chamas da vida da gente na luz de cada manhã, mesmo que sejamos só a metade.

Por Luana Borsari

4 de setembro de 2013

Para você, quem é o centro do mundo?


Certa vez estava numa consulta médica desconfortavelmente (como suponho que costumam estar as pessoas tímidas) e numa tentativa de ser simpático o médico me lançou o desafio:


- Para você, quem é o centro do mundo?

Jamais tinha pensado no assunto fora das discussões do tema nas aulas de história. Fiquei um tempo em silêncio, pensando, sem conseguir chegar a uma conclusão.
Diante da minha reação, ele começou a me explicar que eu era o centro do mundo e por isso, ele e todo o resto das pessoas existiam para estar a meu serviço.


Aquela frase soou como a maior mentira que eu já tinha ouvido na vida.
Há muito tinha aprendido que o mundo existia muito bem sem a minha presença nele por séculos…

...

Um dia depois de várias reviravoltas na vida, percebi que aquela frase do médico poderia ter um fundo de verdade: morando sozinha não havia ponto de fuga, acabei por me tornar o centro (mesmo que do meu próprio mundinho) e o desafio de servir a mim mesma passou a ser uma questão de sobrevivência.


...


No fim, acho que o importante é que o amor, por si próprio e pelos outros, seja uma força maior do que as circunstâncias da vida a que estamos sujeitos...

Por Sofia

22 de maio de 2013

Padam


À minha mãe

Eu não sei o que é o amor.
Em certos dias – feriado de domingo, 0h47, frio e chuva fraca –, até desconfio ter um travo por dentro, me corroendo em acordes menores, como se me fosse reservado um painel sem cor.
Já tentei. Por duas vezes, tentei amar.
Comecei me apaixonando. Escrevi cartas. Namorei. Fiz juras de amor. Ofereci provas. Fui monogâmico à revelia. Construí edifícios, cada qual de quatro anos. Na metade do prédio eu já sabia que não tinha mais amor. [E minha carga de desejos é terrível, sufocante.]
Meus amores são semiáridos. Tenho sede, mas represento um deserto, areia escassa e truculenta. Digo do amor como um mecânico ao telefone. Mecânico.
Moro sozinho e na mesma casa há quase dez anos.
Morar sozinho é um exercício de amor ao próprio território, é não se desesperar no dia em que solidão pisa no peito, nem se entregar às mulheres carinhosas que pedem quartos. É viver numa pulsação de noite, silêncio e retorno.
Neste Dia das Mães, inúmeras manifestações de afeto nas redes sociais. Os almoços protocolares. Os amigos que viajam aos seus parentes. Não me encontro em nenhuma ideologia afetiva e, para piorar, sempre fui um ator ruim.
A minha mãe mora aqui pertinho. Tenho certeza de que ela não esperava ter um filho tão impróprio ao amor. Eu pouco abraço, de vez em quando uso a ironia para demonstrar o quanto ainda preciso de seu abrigo, sei que ela tem medo de perguntar de meus rumos amorosos, falo pouco.
Sempre amei em disritmia. De tempos em tempos, resplandeço em Piaf, mas logo estou no mesmo subterrâneo.
É insuficiente, sempre é.
Minha mãe, onde foi que errei?
 Como poderei ser inteiro se me falta coração?

ouça a música "Padam, Padam..." de Edith Piaf em:


Por Daniel Zanella

27 de fevereiro de 2013

Um gato na janela


Marc Chagall, Paris par la fenêtre

Faz pouco tempo que eu descobri que sou completamente apaixonada pela natureza. Através dela é fácil ver como a vida se manifesta a todo momento, em toda a sua sabedoria. São tantas formas e cores diferentes que me encantam todos os dias. Entre todas as plantas e os animais, os meus preferidos são os gatos. Amo gatos. Eles me fazem tão feliz. Acho que eles (e os cachorros também) são um presente de Deus. Eles são um exemplo de amor, carinho e alegria. Infelizmente ainda não posso ter gatos na minha casa. Então me contento em assistir, pela janela do apartamento, a brincadeira dos gatos aqui da vizinhança.

Esses dias um desses gatos me fez muito feliz.
Nesse dia eu estava muito triste. O peito apertava, as lágrimas corriam pelo rosto. Eu me sentia sozinha. Pedi muito a Deus para me dar forças e equilíbrio para lidar com as dificuldades do dia a dia. Entre as lágrimas, olhei pela janela do meu apartamento e o meu coração se encheu de alegria quando eu vi o gato da vizinha.

Aquele dia triste aconteceu no inverno. Faziam vários dias que eu não via os gatos. O frio era tanto que nem eles tinham coragem de se aproximar da janela – uma das partes mais frias da casa.

Quando eu vi aquele gato preto brincando na janela o meu dia se transformou. Passei a rir das brincadeiras dele. Nevava e fazia frio e, mesmo assim, o gato estava todo feliz, brincando na janela.

Ver aquele gato foi como um presente de Deus para mim. Eu voltei a sorrir e deixei a tristeza de lado. A natureza é bonita demais e ficar triste diante de uma forma de vida tão fofinha era muito pequeno.


E para você, o que faz você sorrir, conforta o coração e ajuda a esquecer as dificuldades?

Para mim, os gatos na janela ajudam um bocado!

Por Lorena

5 de dezembro de 2012

Entre estar só e ser só

A base do amor é a liberdade, porque a reciprocidade do amor depende da liberdade de ação de cada pessoa.
Cada pessoa tem um ponto de vista do mundo que a cerca.

Por que nos é tão dificil expandir os horizontes? Porque nossa visão é tão restrita?

Por que tendemos a ser tão sensíveis a nossa própria a solidão e na maior parte das vezes não nos sensibilizamos (ou sequer percebemos) a solidão dos outros?
Seria uma limitação da nossa física-corporal ou o modo como optamos em viver nossa liberdade de amar?




Alice

31 de outubro de 2012

Toda história merece ser contada



O que eu sempre mais quis na vida foi contar histórias. Mas dezenas de pequenos medos idiotas vêm me travando nesses tempos e me desviando do meu desejo. O medo adolescente de engordar (existe essa ideia ridícula que associa qualquer nível de sobrepeso, principalmente o feminino, à infelicidade insanável...), o medo jovem de envelhecer (pro Tártaro essa outra ideia estúpida que acredita que envelhecer seja algum tipo de crime ou doença!), o medo adulto de não arranjar trabalho (ter o que comer continua sendo, legitimamente, uma preocupação fundamental de qualquer pessoa, o problema é quando as coisas são de um jeito que essa preocupação leva a excluir ou pelo menos a sufocar todas as demais), o medo escolar de não aprender tudo o que eu devo (e quantas vezes decorei um monte de coisas pra no meio delas esquecer: mas o que era mesmo que eu estava tentando aprender?), o medo exibicionista de desagradar, o medo carrasco de fracassar, o medo triste de não amadurecer e, talvez acima de todos, o medo traiçoeiro, feminino e humano de ficar só. 

Pois bem, desde criança eu sei que preciso contar histórias, mas venho atrasando essa tarefa desde então. Já usei boas e más desculpas (dias muito frios, noites muito quentes, deveres mais urgentes), mas a verdade é que a única coisa que me trava são os medos. E esses medos todos, quando se juntam, se transformam em algo assustador e aparentemente invencível: a incapacidade de contar a história da minha própria alma.

Contar a história da própria alma é fundamental, mas você só é capaz de fazer isso quando percebe que está com os demais. E que é com eles, por eles e para eles que você pode – e deve – contar essa história.

Para mim, a minha vocação de contar histórias só se destrava na medida em que eu consigo contar a história da minha alma, isto é, na medida em que eu sei viver a minha vocação primeira ao amor – na medida em que eu sou capaz de realizar, a cada dia, o milagre de estar com os demais.

Acabando de superar a fase dos vinte e poucos anos, esses tempos me peguei me achando velha e muito chata pra começar qualquer coisa que valesse a pena (era um momento de estupidez rotunda e por isso sequer me lembrei de que já tenho começadas algumas várias coisas muitíssimo empolgantes e que valem tremendamente a pena...). Tive, por um instante, vontade de fazer seis coisas (não necessariamente compatíveis e não necessariamente nessa ordem): 1) chutar o balde e dar o cano em todos os compromissos da semana; 3) comer uma panela de brigadeiro inteira sem dividir com ninguém; 3) raspar o cabelo e ir viver nas montanhas sozinha; 4) ler todos os livros do mundo; 5) passar o resto da vida morando cada ano num país diferente; 6) me trancar no quarto pelo resto do dia. No final tomei vergonha na cara e saí pra encontrar uma amiga, que era o que a minha agenda dizia que eu tinha de fazer, afinal. E depois de um dia normal bem vivido entre as pessoas, me lembrei: Não existe história que não valha a pena – porque não existe pessoa que não valha a pena. Toda história merece ser contada. Inclusive a de hoje.

Por Hannah