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29 de abril de 2015

Ser Maria


Meu padrinho uma vez me disse que não me deixaria casar antes de eu me formar na faculdade, porque teoricamente isso significa que eu não trabalharia fora, e eu sou inteligente demais pra ficar em casa e "ser maria".

Que fatídico futuro: observar comerem da comida que preparei com gosto, vestirem a roupa que dobrei sorrindo ("estão crescendo tão rápido, daqui a pouco já não cabe mais!"). Perfumar a casa e transformá-la em lar (tão limpinho!). Estar presente e dar atenção aos filhos, dar carinho e arrumar a bagunça depois que eles dormirem. Receber meu José cansado do trabalho e ser seu descanso. 

O que será que tem de tão pavoroso nisso?

Que AUDÁCIA ser Maria! Quanta dignidade pôs ela, com seu toque santo e feminino, nas coisas da casa! Quem me dera ser perfeita e alcançar o que ela alcançou sendo mãe e esposa, que honra amar, servir, e multiplicar. Quanto poder tem a mulher, de definir o tom de uma família, de formar uma criança, de ser o bom humor de um homem. Em que mundo maravilhoso moraríamos se todas as mulheres fossem Marias?!

Sinto muito, padrinho, mas trabalhando ou não, eu pretendo ser Maria.

BM

9 de abril de 2014

Bodas de Diamante



Na manhã do dia 15 de março de 1954 (uma segunda feira), Marcus, apaixonado e enamorado, disse sim a Yvonne que, apaixonada e enamorada, disse sim ao Marcus e assim o meu nome e o nome dos meus irmãos puderam ser inscritos no livro da vida.
Obrigado!
Há muito o que comemorar.
Quanta alegria e felicidade se sobressaem em meio às dificuldades, contrariedades e tristezas que a vida lhes trouxe nestes 60 anos, forjando um amor pleno.
O amor de 1954 chegou a 2014 cheio de razão, selado e amadurecido pela fé, esperança e sobretudo pela caridade.
Amor cheio de razão, pois amar é mais do que paixão, é decisão.
Decisão livre de entregar o único e verdadeiro bem que possuímos: a liberdade e assim tornar-se prisioneiro do outro.
Esse é um amor que se realiza no eterno.

Luiz

24 de abril de 2013

Derramar no céu


Lembro-me vagamente das aulas de física sobre os estados da matéria. 
O estado gasoso sempre me intrigou: “partículas que se deslocam livremente”.
Se elas se deslocam livremente, como podem formar “um único corpo”?

Não entendo muito de física, mas me lembro de um “campo de força” que ligaria as moléculas dos gases entre elas, permitindo sua livre movimentação sem acarretar numa desunião.


Levando a física do universo, já que sua maior parte é formada por gases, para a nossa vida, vejo o amor como o campo de força que nos liga, o único limite possível da nossa liberdade.

Na vida, deveríamos almejar o estado gasoso: deixar para trás sais e minerais, derramar no céu, evaporar!

http://www.youtube.com/watch?v=IWXTisH11-Y (Little Joy - Evaporar)



Por Alice

27 de março de 2013

O Peso do Amor, o Peso da Dor



Penso que ao longo da vida constantemente somos chamados ao desprendimento em algum nível, como se fôssemos ensaiando para quando tivermos que nos desprender por fim desse mundo.

Eu sei que este é um tema pesado para alguns, mas um dia desses fui visitar uma senhora que tem Alzheimer e não quis deixar de compartilhar pelo menos um pouco do que aprendi.

A vida pediu à senhora o desprendimento da consciência de ser no tempo presente. E à sua família e às pessoas que a estimam, pediu o desprendimento do significado que eles têm para ela.


É difícil pra gente que vive tentando reforçar os laços que nos unem aos outros pensar que o sentido da vida está no desprendimento.

É o cativar do Pequeno Príncipe, da amizade que brota risos e lágrimas.


O amor tem essa leveza do prender em liberdade.

Amamos, mas somos sós.
E somos sós porque somos livres.
A liberdade é nossa condição, 
o amor, nossa luta diária.

Por Alice

5 de dezembro de 2012

Entre estar só e ser só

A base do amor é a liberdade, porque a reciprocidade do amor depende da liberdade de ação de cada pessoa.
Cada pessoa tem um ponto de vista do mundo que a cerca.

Por que nos é tão dificil expandir os horizontes? Porque nossa visão é tão restrita?

Por que tendemos a ser tão sensíveis a nossa própria a solidão e na maior parte das vezes não nos sensibilizamos (ou sequer percebemos) a solidão dos outros?
Seria uma limitação da nossa física-corporal ou o modo como optamos em viver nossa liberdade de amar?




Alice

21 de novembro de 2012

A vida e suas escolhas


Muitas vezes rememoro passagens que parecem muito remotas como se fossem histórias antigas contadas por alguém, lidas em algum livro, vistas em um filme. Com surpresa, eu percebo que são lembranças do que eu vivi das minhas muitas vidas.

Lembro-me das cavalgadas ao lado do meu avô. Lembro-me da dedicação tentando tocar violoncelo (há tanto tempo que não toco... ). Lembro-me das aulas de dança, das aventuras subindo montanhas, ou da paixão que eu tinha pelos números, muitas coisas que não faço mais e muitas que provavelmente não voltarei a fazer.

Estas lembranças me levam a pensar em todas as possibilidades que eu tive na vida e nas muitas vidas que eu poderia ter tido. Foram estas possibilidades de aprender, de testar, de escolher e de amar cada momento que me conduziram até onde estou, com meu marido, com minha filha, com minhas novas escolhas e com minha infinidade de novas possibilidades.

Amo a liberdade de escolha e as possibilidades que a vida me deu.  Amo meu passado, meu presente e meu futuro. Amo os erros dos quais me arrependi e que me ensinaram que há sempre uma possibilidade de mudança, de fazer novas escolhas. Amo a trajetória que escolhi e que se renova a cada novo passo. E percebo a dádiva que é escolher, pois a minha vida é alimentada diariamente por minhas escolhas.

Por D.