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9 de abril de 2014

Bodas de Diamante



Na manhã do dia 15 de março de 1954 (uma segunda feira), Marcus, apaixonado e enamorado, disse sim a Yvonne que, apaixonada e enamorada, disse sim ao Marcus e assim o meu nome e o nome dos meus irmãos puderam ser inscritos no livro da vida.
Obrigado!
Há muito o que comemorar.
Quanta alegria e felicidade se sobressaem em meio às dificuldades, contrariedades e tristezas que a vida lhes trouxe nestes 60 anos, forjando um amor pleno.
O amor de 1954 chegou a 2014 cheio de razão, selado e amadurecido pela fé, esperança e sobretudo pela caridade.
Amor cheio de razão, pois amar é mais do que paixão, é decisão.
Decisão livre de entregar o único e verdadeiro bem que possuímos: a liberdade e assim tornar-se prisioneiro do outro.
Esse é um amor que se realiza no eterno.

Luiz

9 de janeiro de 2014

Dick and Jane


A Jane veio me cumprimentar, me perguntava onde estaria o Dick quando me lembrei que ele tinha morrido. Já não me lembrava há quanto tempo, mas não a tinha visto desde então. Há dois anos que não vinha para o Alabama.
Desatei a chorar pela notícia recebida há meses (que não me fez chorar na ocasião).
Conheci a Jane e o Dick logo que meus pais chegaram no Alabama cinco anos atrás. Ficava admirada com a disposição deles de irem à missa todos os dias às 6e20 da manhã (apesar de aposentados ainda trabalhavam ajudando os imigrantes mexicanos). Lembro-me quando o Dick se apresentou para nós, disse que Dick e Jane eram os nomes mais óbvios para casais nas histórias americanas. Todos os dias, o Dick nos cumprimentava com um sorriso, esperando que déssemos boas noticias sobre a nossa adaptação.

Hoje quando vi a Jane sozinha desatei a chorar não só pela saudade que ela deve sentir do Dick, mas porque senti o mundo muito mais triste com a sua ausência. Não tinha me dado conta, mas acho que esperava encontrar o sorriso esperançoso dele logo na saída.

Mari

28 de agosto de 2013

Minha cunhada vai casar




Desde pequena, quando pensava no meu futuro, não pensava no meu dia, num escritório que me tornaria uma profissional bem sucedida: pensava em seis e meia da tarde.

Tô procurando a chave de casa e meia dúzia de cabecinhas me apressando. “Vai logo, mamãe, quero fazer xixi!” Abri a porta e duas bolinhas rosas entraram piruetando pela sala. Talvez toque pra elas dançarem depois da janta (aprendi piano pra tocar durante a gravidez). Entrou também uma que resolveu fazer ginástica olímpica só pra acabar com o meu coração de bailarina. Mais um moleque PRETO de tanto se jogar no chão no futebol (“direto pro chuveiro, sem encostar essa mão na parede, hein!”) e um no ombro do pai, mostrando o golpe que aprendeu no judô.
Criei uns braços a mais e fiz a janta e dei banho em metade. Hoje misturei beterraba no macarrão. “Mamãe, é da Barbie?!” “Eca, é de menina!” Como é difícil fazer essas crianças comerem! Sobremesa, todo mundo quer! E esse pai coruja ainda vive comprando sorvete... O cadeirão está vazio, a bonita não saiu do colo desde que chegou em casa (acho que estamos mimando demais essa menina).
“Anda logo, Lorenzo, só falta você! Você e os seus irmãos ainda têm que fazer o dever de casa!” Criança precisa de rotina. Depois da tarefa, historinha, santo anjo e CAMA!
Silêncio. Mas quem disse que pai e mãe se esquecem dos filhos alguma hora? Como estão lindos! Espertos, engraçadinhos, tão arteiros! Domingo a vovó não vai nem acreditar. Dente de um caindo, de outra, nascendo...

Nascendo também está uma família. Agora, em 2013. Minha cunhada vai casar. Não segurei o choro ao pensar nesse fruto tão bonito do matrimônio que é a vida, o amor. Disfarçado na rotina em forma de risadinhas.


B.M.

20 de março de 2013

Timeline do Amor


1984 – Nasci apaixonada.

1987 - Aos 3 anos aconteceu minha primeira paixão arrebatadora. Eu tinha certeza que eu ia casar com aquele menino loiro, lindo, de 15 anos, que sentava comigo todo domingo na igreja.

1989 - Aos 5 anos mudei de país, mas o amor continuava ali, falando a mesma língua que a minha.

1990 a 1997 -Dos 6 aos 13 anos me apaixonava toda semana, sempre por algum sorriso diferente. Meus diários de vida sempre estavam cheios de corações, recibos de lugares em que fui com aquele menino especial, fotos, fotos dos boybands da época, poesias... E foi quando conheci meus amigos para a vida toda.

1998 - Aos 14 conheci o amor da minha vida. E eu soube no primeiro momento em que o vi (piegas, mas é verdade).

1998 a 2005 - Dos 14 aos 21 o amor deu lugar a outras paixões: segundo grau,  passar no vestibular, primeiro emprego,  faculdade,  uma vaga no mestrado...

2006 - Aos 21, o amor de 14 anos voltou na minha vida e mais uma vez tive certeza novamente que era ele, assim, fácil. Começamos a namorar, noivamos.

2007 - Aos 22 casei, na praça, para todo mundo ver.  E percebi o quanto amava minha mãe e meus irmãos quando saí de casa para a minha casa e vida de casada.

2008 - Aos 23 comecei a amar meu trabalho, a correr na rua, novas músicas, novos amigos para completar minha vida.

2012 - Aos 27 tive minha primeira filha. Dei o nome que mais amava no mundo. De um filme que amei assim que vi o cartaz.

2013 - Aos 28 o amor acontece a todo momento. Vejo minha filha e vejo o amor em pessoa.  Humanizado em 75 cm de altura, 10 kg de muita fofura.  Vejo que minha vida não poderia ser mais completa. Com ela, com ele e com todos eles a minha volta.

Como disseram Los Hermanos: para nós, todo o amor do mundo...

Por Japonesita

17 de outubro de 2012

O grande "sim" e o constante sim

 Eu sou muitas coisas: filha, neta, irmã, prima, amiga, mas não sou esposa.

 Às vezes a gente fica com a impressão de que a vida da mulher é isto: uma corrida para se tornar esposa.

Ser esposa é, sem dúvida, uma grande expressão de amor. Acredito, contudo, que a hierarquia do amor não deve ser socialmente determinada, mas sim individualmente. Isto é, não devemos necessariamente seguir o que a sociedade espera que façamos (casar-se! só por ser este o "sonho de toda mulher"), mas aquilo que percebemos que devemos fazer em cada circunstância.

Vejo a vida como um longo caminho em espiral.  Durante nossas andanças nós o vamos preenchendo com ladrilhos de diferentes cores. Cada ladrilho é uma resposta diferente a um desafio diferente, uma chamada a amar, antiga ou nova...
Em cada momento a vida nos convida a amar, seja como filha, como neta, como irmã, como prima, como amiga, como tia, como esposa, como mãe.

Penso que o grande “sim” das mulheres não é o do altar, mas o constante “sim” de cada instante, através do qual possibilitamos a vivência e a renovação do amor em todas as relações que nos tocam...

   Por que compor um caminho monocromático se  o mundo nos oferece tantas cores de ladrilhos?


Por Alice