Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

26 de março de 2014

Tão longe, tão perto




Quando eu deixei a minha cidade, a minha família, os meus amigos, a minha casa e os meus cachorros para cair nessa imensidão que é São Paulo e começar a faculdade dos meus sonhos, eu não fazia ideia do que realmente significava isso. 
Não imaginava que ia ser tão doce e tão amargo. Não imaginava que ia me sentir tão distante e tão próxima.
Estar longe dói com frequência. Não fazer parte do dia-a-dia de quem você ama é uma ferida constantemente aberta.
Mas ao mesmo tempo carrego todas elas, seus rostos, seus jeitos, seus cheiros, seus sorrisos, carrego-as no meu coração de um jeito que eu não fazia quando estava fisicamente perto. A distância muda o amor. Mas não na intensidade, somente na sua forma. Aprendi a amar de longe, e isso alargou meu coração. Alargou tanto que já começo a amar tudo isso que me é novo na vida. E multiplicam-se os rostos que eu carrego comigo. 
Me vejo alegre. Alegre porque fui capaz de escolher e minha escolha me transformou. Hoje vivo com mais peso. Com mais sentido, mais direção e mais magnitude (veja só, sou quase um vetor!). 
Mas a alegria maior está em saber que a mudança não termina. Viver é mudar, e crescer, e transformar, e aprender, e lutar. E em meio a tudo isso a gente ama. Ama os outros, ama as lutas, ama os dias. E o que era no início amargo se torna, gradualmente, cheio de doçura.


Adélia 

12 de março de 2014

Amoramigo




Não é o dos poemas mais românticos, do jantar a luz de velas ou da ansiedade pelo primeiro encontro. Talvez, um dia (quem sabe?), até seja, mas o de hoje não é. O amor amigo é o do “porque não nascemos filhos/as da mesma mãe?” ou do “porque não nos conhecemos antes?”. É o clichê, desde “a família que nos permitiram escolher” até o “pede pra minha mãe pra eu dormir na sua casa?”. É o amor primeiro, é o que todos deveriam ter por direito e é o que nos ergue quando falta chão pra pisar. Esse amor é aquele que aparece quando você olha lá pra cima e pergunta se não tem mais nada de ruim pra acontecer com você, ou quando você está convicto de que já não existem meios de se ter “fé na vida, fé no homem, fé no que vier”.

Há um tempo (um ano, nem muito e nem pouco, mas o suficiente para que eu processasse todas as informações), resolvi embarcar, me enfiar de cabeça, mais especificamente falando, num sonho escondido: viajar para outro país, sozinha, e morar lá por um tempo. Eu tinha, como era de se esperar, todos os tipos de medo: de me perder, não entender a língua, ir mal nos estudos ou morrer de saudades da minha casa. Mas o medo maior, aquele que tirava o sono e molhava o travesseiro, era o de perder o lugar que eu tinha na vida das pessoas, na vida dos meus amigos. Querendo ou não, a gente sabe que família está ali, família é quase sempre fixa. Mas amigo... ah! Amigo a gente rega, aduba, assiste crescer todo dia.

Mas, e se eles se acostumarem com você longe? E se for verdade que “quem tanto se ausenta um dia deixa de fazer falta”? E se VOCÊ se acostumar sem eles? E se na hora de voltar já não existir seu espacinho na vida de cada um?


E aí vem a vida como um belo “há-há-há” bem no seu nariz. Afinal de contas, você mal sabe o que vem pela frente. Você não faz ideia de que todo o colorido da sua viagem virá deles, os amigos. E agora em dose dupla. Agora você vai conhecer quem estará contigo em uma das maiores e melhores experiências da sua vida, aprender a sentir saudade pra sempre e a confiar que amigo não tem regra, não expira. É engraçado como a gente passa a perceber e aceitar que na vida há quem apareça para ficar e há quem está só de passagem, e nenhum deles é mais ou menos importante. De algum jeito maluco e incompreensível, as pecinhas desse quebra cabeça vivo vão se encaixando. Quem tinha que ficar o fez, e você nunca vai saber como agradecer por isso. Quem precisou ir foi, e os motivos talvez não precisem ser entendidos. Quem quis aparecer? Esses vieram também, oras! Seus presentes de boas-vindas. E os que você precisou deixar, não porque quis, mas porque precisou... esses andam com você a cada sorriso que você dá e cada vez que seus olhos piscam, seu coração bate ou sua mente viaja. Eles hoje são parte de quem você é, de quem você se fez, de quem você aprendeu a ser.

Tha

6 de novembro de 2013

Como o fermento no pão




Minha mãe tirou o pão do forno com frustração, a massa não tinha crescido o suficiente (ela achava que era por causa do frio).
O cheiro parecia o mesmo, o sabor estava diferente.
Perguntei quanto ia de fermento. Apenas uma colher de café, me respondeu.
E uma quantidade tão mínima poderia fazer tanta diferença?


Às vezes a gente tem impressão, até porque os jornais acabam por enfatizar mais as más notícias do que as boas, de que estamos mergulhados num mundo de corrupção e violência. Pensei que se os atos de amor, vivos como o fermento biológico, mesmo que mínimos, atuassem no mundo como o fermento no pão, haveria motivo de sobra para se viver com esperança.


Mari

16 de outubro de 2013

A Hierarquia do Amor


Há quem acredite que a maior forma de viver o amor é demonstrar afeto, atenção e cuidado por qualquer estranho que cruze seu caminho.
Muitas vezes, isso é um grande engano.

Devemos sempre nos lembrar que somos responsáveis por quem cativamos.
Penso que só a vivência da responsabilidade nos faz amadurecer a ponto de amar verdadeiramente qualquer estranho que cruze o nosso caminho.

Não podemos nos iludir com uma “ideologia do amor”, o amor só existe na vivência.
E apesar de universal, demanda uma hierarquia.
Se não nos lembramos de incluir na nossa rotina ações para cada pessoa considerando os diferentes níveis de responsabilidade que temos para cada uma, não estamos vivendo o amor…


Alice

4 de setembro de 2013

Para você, quem é o centro do mundo?


Certa vez estava numa consulta médica desconfortavelmente (como suponho que costumam estar as pessoas tímidas) e numa tentativa de ser simpático o médico me lançou o desafio:


- Para você, quem é o centro do mundo?

Jamais tinha pensado no assunto fora das discussões do tema nas aulas de história. Fiquei um tempo em silêncio, pensando, sem conseguir chegar a uma conclusão.
Diante da minha reação, ele começou a me explicar que eu era o centro do mundo e por isso, ele e todo o resto das pessoas existiam para estar a meu serviço.


Aquela frase soou como a maior mentira que eu já tinha ouvido na vida.
Há muito tinha aprendido que o mundo existia muito bem sem a minha presença nele por séculos…

...

Um dia depois de várias reviravoltas na vida, percebi que aquela frase do médico poderia ter um fundo de verdade: morando sozinha não havia ponto de fuga, acabei por me tornar o centro (mesmo que do meu próprio mundinho) e o desafio de servir a mim mesma passou a ser uma questão de sobrevivência.


...


No fim, acho que o importante é que o amor, por si próprio e pelos outros, seja uma força maior do que as circunstâncias da vida a que estamos sujeitos...

Por Sofia

28 de agosto de 2013

Minha cunhada vai casar




Desde pequena, quando pensava no meu futuro, não pensava no meu dia, num escritório que me tornaria uma profissional bem sucedida: pensava em seis e meia da tarde.

Tô procurando a chave de casa e meia dúzia de cabecinhas me apressando. “Vai logo, mamãe, quero fazer xixi!” Abri a porta e duas bolinhas rosas entraram piruetando pela sala. Talvez toque pra elas dançarem depois da janta (aprendi piano pra tocar durante a gravidez). Entrou também uma que resolveu fazer ginástica olímpica só pra acabar com o meu coração de bailarina. Mais um moleque PRETO de tanto se jogar no chão no futebol (“direto pro chuveiro, sem encostar essa mão na parede, hein!”) e um no ombro do pai, mostrando o golpe que aprendeu no judô.
Criei uns braços a mais e fiz a janta e dei banho em metade. Hoje misturei beterraba no macarrão. “Mamãe, é da Barbie?!” “Eca, é de menina!” Como é difícil fazer essas crianças comerem! Sobremesa, todo mundo quer! E esse pai coruja ainda vive comprando sorvete... O cadeirão está vazio, a bonita não saiu do colo desde que chegou em casa (acho que estamos mimando demais essa menina).
“Anda logo, Lorenzo, só falta você! Você e os seus irmãos ainda têm que fazer o dever de casa!” Criança precisa de rotina. Depois da tarefa, historinha, santo anjo e CAMA!
Silêncio. Mas quem disse que pai e mãe se esquecem dos filhos alguma hora? Como estão lindos! Espertos, engraçadinhos, tão arteiros! Domingo a vovó não vai nem acreditar. Dente de um caindo, de outra, nascendo...

Nascendo também está uma família. Agora, em 2013. Minha cunhada vai casar. Não segurei o choro ao pensar nesse fruto tão bonito do matrimônio que é a vida, o amor. Disfarçado na rotina em forma de risadinhas.


B.M.

10 de julho de 2013

O amor dos meus amores




É possível ensinar alguém a amar? A grosso modo e ao pé da letra, certamente que não.

Mas a vida, sim ela mesma, nos ensina que o amor vai muito além das lágrimas derramadas por aquele menino do colégio ou mesmo das frases que prontamente repetimos aos nossos pais, durante a infância. O amor, nada mais é, que reflexo do cotidiano ao qual somos inseridos ao nascer.

Para a criança, beijar significa gostar, e ela sabe disto e, assim demonstra seu afeto. Esta forma de amor é aquela clássica. Mas a que, realmente, me encanta é a “camuflada” nos pequenos acontecimentos cotidianos. Aquela em que não é necessário iniciar ou incitar o sentimento, quando o amor se faz presente quase que “sem querer”.

Ver uma criança integrada à família, reconhecendo os pertences de cada ente, sabendo dos gostos dos familiares, assim como interagindo no universo do “lar” é a forma mais pura e serena de amar. Um sentimento que se desprende do óbvio e tende a seguir em construção por tempo indeterminado.

É nesta interface família-lar-cotidiano que o amor pode ser ensinado, não como doutrina, mas sim como sentimento arraigado no “ser”. O amor, quando assim é tratado, deixa de ser apenas uma qualidade individual e passa a ser característica familiar, social e universal.

Por isso, acredite, nós podemos, sim, ensinar a amar.


Por Clarisse

3 de julho de 2013

Sabão em Pó



Desmancha a mágoa
Que mancha o peito
Tenta e sacode
Assopra pra lá
Porque é certo
Que daqui
Semanas
De novo
Vem,
Mais dois, três
Episódios de
Coração com hematoma.
Desmancha a mágoa
Toma o antídoto
Do amor próprio
E se apropria
Dos curativos
Só cabe a ti e
mais nenhum
Juntar caquinhos
Respirar fundo
E esquecer
Que refém dela
Já foste um.


26 de junho de 2013

Sobre a Revolução




Semana passada alguém propôs que não tentássemos melhorar o mundo, que só tornaríamos as coisas piores (pois é, justamente na semana passada).
Eu não poderia concordar menos com essa proposta.
Sei das nossas limitações, de visão, de ação, de tudo.
Mas para mim a pior limitação é o conformismo.
Penso que o amor só existe com a revolução.
Uma pessoa conformada é uma pessoa que não ama.
Quem ama se importa e quem se importa luta.
Luta por ser uma pessoa melhor.
Luta para viver seus amores, desafiando o comodismo da rotina.
Luta para que aqueles que ama sejam melhores.
Luta por um mundo melhor.
Luta por amor, por si mesmo, pelos outros, pela vida.


Por Alice

12 de junho de 2013

Um cappuccino e um quiche





- Um cappuccino e um quiche, por favor.
- Você teria 7 minutos para que eu aqueça o quiche? Algum problema?

Eu me sentei na mesa um pouco atônita para aguardar. Aquela velha e recorrente sensação de um mundo onde ninguém tem tempo me deixava um pouco enjoada.

Ao meu lado se senta uma mulher, seu marido e o filho. A mulher bordava uma roupinha de bailarina em pleno aeroporto. Pedia a opinião do marido. Deveria por mais ou menos babados? Achei a imagem, no mínimo, poética. Com as parcas opiniões do marido e com o meu diploma de bailarina na minha bagagem de vida, senti-me na obrigação de dar a minha.

Não era um collant de ballet, mas de atleta de ginástica, o que, de forma alguma, tornava minha opinião irrelevante. Falei sobre minha mãe que também me aguardava nos ensaios e bordava as minhas roupas. Lembrei-me da minha vizinha que bordava as roupas da seleção. Sim, eu a conheço. Sim, a seleção treina no Paraná, isso mesmo, lá no interior. Achei que fosse roupa de patinação. Tem também a esposa do meu primo que treina campeões. Eu me recordava da minha herança interiorana, da minha herança de bailarina, da minha herança de família. Da minha bagagem de sim e da minha bagagem de não.

Compreendi um pouco mais sobre o amor ao saber que os três dirigiam por 20 km pra ir e 20 km para voltar todos os dias até ali ao aeroporto para aguardar a menininha que treinava de segunda a sábado, das 13:30 h às 20:30 h. “Isso que hoje o mais velho não pode vir” era o que me falava a mãe. Nenhum deles estava ali para viajar assim como nenhum deles estava ali para treinar. Estavam apenas para, aguardando, apoiar.

Entendi que aquele sonho de ser campeã era um sonho e um empenho de pelo menos mais quatro pessoas. Família vezes quatro, amor quadruplicado.

Ganhei elogios pela minha cara e postura de bailarina. Oferta de emprego porque procuram professores e precisam importar as russas. Pensei até em um instante em mudar completamente de vida e trocar de emprego. Pensei em conhecer o Kremlin um dia.

Soube que 2016 ainda está próximo, teremos todos os cinco (agora contando comigo) que aguardar até 2020. Sim, porque se a pequena gaúcha já é campeã e com tanto amor ao redor, eu estou botando toda fé nela.

Reparo, então, que meu quiche já esfriava em minha mesa.


- Sim, moço, tenho sete minutos. Sete minutos para dar e sete minutos para receber. Nenhum problema.


Por Juliana

5 de junho de 2013

Do cativar e do cultivar

Desconfiava que eu não tinha sido feita para semear. Aprendi a depender de outras pessoas para cuidar das plantas de casa, até o dia que me encontrei com responsabilidade total sobre todas elas...

Tinha certeza de que todas as plantas já estavam previamente condenadas.

Minha maior surpresa foi perceber um dia que a plantinha que eu mantinha na janela só pela esperança de que alguma vez florisse começou a renascer. E eu comecei a ter esperança em mim mesma...

Uma amiga me disse que as plantas são muitos sensíveis que o segredo é regá-las sempre.

Acompanhei por semanas o crescimento do que no princípio era só um raminho verde. Até que num dia de muito frio e neblina, ao abrir janela, vi a tão esperada flor.

Nessa manhã, entendi com mais profundidade o sentimento do Pequeno Príncipe ao acompanhar o desabrochar da única rosa de seu planetinha.

Era a sua rosa.

Era inevitável que se apaixonasse...




Por Mari

29 de maio de 2013

O sertão que nos cabe




Ele escreveu que seus amores são semiáridos, que tem sede, mas representa um deserto. Lembrou-me daquela ideia de Guimarães Rosa de que o sertão está em toda a parte, está dentro da gente.

O semiárido não seria um privilégio das pessoas mais sensíveis, penso que todos nós amamos em disritmia. E essa alusão é tão antiga quanto aquela história de que viemos do pó.

Todos temos uma sede insaciável, mendigamos amor e o pouco que conquistamos escorre no solo monótono do semiárido cotidiano.

Apesar dessa cena trágica, o sertão me encanta. Uma das mais lindas histórias de amor que já li se passa lá, o amor nunca consumado de Riobaldo e Diadorim no Grande Sertão: Veredas.

Penso que a beleza do amor semiárido está justamente na possibilidade da introspecção. É preciso conhecer o sertão que nos cabe para encontrar as paragens que nos alimentam e descansam.

Dizem que o sertanejo é um forte. E eu o vejo assim. Porque entre muitos que escolhem a rota de fuga de seus próprios sertões, ele permanece lá, se alimentando do semiárido, aceitando a verdadeira luta por amor.

Sem ilusões. Sem palavras vãs. Apenas o sertão e a luta.

Por Sofia

22 de maio de 2013

Padam


À minha mãe

Eu não sei o que é o amor.
Em certos dias – feriado de domingo, 0h47, frio e chuva fraca –, até desconfio ter um travo por dentro, me corroendo em acordes menores, como se me fosse reservado um painel sem cor.
Já tentei. Por duas vezes, tentei amar.
Comecei me apaixonando. Escrevi cartas. Namorei. Fiz juras de amor. Ofereci provas. Fui monogâmico à revelia. Construí edifícios, cada qual de quatro anos. Na metade do prédio eu já sabia que não tinha mais amor. [E minha carga de desejos é terrível, sufocante.]
Meus amores são semiáridos. Tenho sede, mas represento um deserto, areia escassa e truculenta. Digo do amor como um mecânico ao telefone. Mecânico.
Moro sozinho e na mesma casa há quase dez anos.
Morar sozinho é um exercício de amor ao próprio território, é não se desesperar no dia em que solidão pisa no peito, nem se entregar às mulheres carinhosas que pedem quartos. É viver numa pulsação de noite, silêncio e retorno.
Neste Dia das Mães, inúmeras manifestações de afeto nas redes sociais. Os almoços protocolares. Os amigos que viajam aos seus parentes. Não me encontro em nenhuma ideologia afetiva e, para piorar, sempre fui um ator ruim.
A minha mãe mora aqui pertinho. Tenho certeza de que ela não esperava ter um filho tão impróprio ao amor. Eu pouco abraço, de vez em quando uso a ironia para demonstrar o quanto ainda preciso de seu abrigo, sei que ela tem medo de perguntar de meus rumos amorosos, falo pouco.
Sempre amei em disritmia. De tempos em tempos, resplandeço em Piaf, mas logo estou no mesmo subterrâneo.
É insuficiente, sempre é.
Minha mãe, onde foi que errei?
 Como poderei ser inteiro se me falta coração?

ouça a música "Padam, Padam..." de Edith Piaf em:


Por Daniel Zanella

1 de maio de 2013

O que é o amor?



A palavra “amor” sempre me intrigou. Não poderia ser um mero sentimento, difícil de ser diferenciado dos outros que aparecem quando somos atraídos por algo. Talvez, então, seria um ato louco da pura razão? Inconcebível! A inteligência conhece, mostra caminhos, mas a decisão é tomada pela vontade. “Ah, então a resposta está na vontade”, exclamei certa vez em voz alta, ingênua e kantianamente! A vontade sim é soberana, escolhe mesmo contra os conselhos da inteligência ou o movimento das paixões. Mas... nem isso me convencia até o final. O amor não poderia ser de domínio puro da vontade! Como imaginar o amor verdadeiro sem conhecimento ou emoções?

E, eis que assim “pulava” entre as potências do meu “eu” interior, buscando entender o amor, quando me apaixonei, perdidamente! Sim, uma flechada, sem aviso, sem defesas. E tudo aconteceu ao mesmo tempo: o sentimento não se satisfazia com o simples padecer e, por isso, a inteligência era intimada a conhecer mais e mais. E a cada nova descoberta do objeto amado, ensinada com ternura pela razão à vontade, esta última ia querendo com mais força, sem saciar, desencadeando novas explosões da sensibilidade e, ao mesmo tempo, levando-me a submeter todo o resto pelo “Amor”.

Nessa dinâmica, na qual me deixava escravizar e, surpreendentemente, tornava-me cada vez mais livre, o amor começou a mostrar a sua verdadeira face. “Não sou um produto da tua vontade, inteligência ou sentimentos”, parecia dizer-me. “Sou consequência de todo o teu ‘eu’ mais profundo em encontro com o sentido da tua existência”. “Desvendo quem és, teus desejos mais profundos, a tua vocação à felicidade; te conduzo a ser muito além do presente de ti mesma, sem perderes a tua identidade e, ao mesmo tempo, desenvolvendo ao infinito todas as tuas potencialidades”.

Percebi que o amor tem um objeto próprio. Para as pessoas, o verbo “amar” só pode ser conjugado em relação a um bem igual ou superior a nós mesmos – outra pessoa –, já que deixar-se arrastar por qualquer outro bem inferior seria enganar-se, trair a si mesmo e ao desejo inegavelmente humano de infinito. E deparei-me com a realidade de que o amor, misteriosamente, conjuga – e une! – momentos de repouso e atividade, dor e alegria, sacrifício e paz.

Hoje entendo que ainda não compreendo o amor plenamente; sinto que se o soubesse, não seria o verdadeiro. E estou disposta a ouvir outras versões dessa história. Só sei que, no meu caso, a cada passo de entrega/crescimento/enriquecimento sou mais eu mesma, mais feliz. E, mesmo nos momentos mais difíceis, não me trocaria por ninguém.

A apaixonada

24 de abril de 2013

Derramar no céu


Lembro-me vagamente das aulas de física sobre os estados da matéria. 
O estado gasoso sempre me intrigou: “partículas que se deslocam livremente”.
Se elas se deslocam livremente, como podem formar “um único corpo”?

Não entendo muito de física, mas me lembro de um “campo de força” que ligaria as moléculas dos gases entre elas, permitindo sua livre movimentação sem acarretar numa desunião.


Levando a física do universo, já que sua maior parte é formada por gases, para a nossa vida, vejo o amor como o campo de força que nos liga, o único limite possível da nossa liberdade.

Na vida, deveríamos almejar o estado gasoso: deixar para trás sais e minerais, derramar no céu, evaporar!

http://www.youtube.com/watch?v=IWXTisH11-Y (Little Joy - Evaporar)



Por Alice

10 de abril de 2013

Um Amor que passou dos talheres e foi parar nas panelas



Bom, creio que tudo tenha começado pelo meu nascimento. Em 1984 nasce a filha de um casal com raízes um tanto quanto diferentes. Ele descendente de italianos e ela de alemães com paraguaios, mas os dois com uma coisa em comum, super mães - aquelas que cozinham, costuram, cuidam, lavam, passam - verdadeiras donas de casa. E a tradição era: sábado almoço com a família na casa da minha avó paterna e domingo na casa da avó materna.
Sábado significava diversão - pois sabia que minha avó colocaria um banquinho em frente ao fogão e lá estaria eu mexendo polenta, ou chegaria e ela estaria na sua produção de macarrão e eu iria esticá-los pela casa. Domingo era a certeza que iria me deliciar à mesa, comer a tão especial farofa doce, o tortei com molho vermelho, a sobremesa de suspiro, ou até mesmo o sorvete napolitano com calda de caramelo Kibon.
E o amor pela comida me pegou pela boca. Nada como ter um garfo e uma faca na mão. O prazer em comer foi se evidenciando a cada ano, com isso os quilinhos a mais também foram aparecendo. Aprendi direitinho com minhas avós o básico. E como o amor por comer é compartilhável, na adolescência já colocava meus ensinamentos em prática. Me reunia com minhas amigas e cozinhava para elas, minha especialidade era Fondue e os encontros acabavam sempre com muitas gargalhadas.
Comecei a conhecer o mundo e apreciar ainda mais a comida. Tinha vontade de comer coisas diferentes, e a curiosidade de aprender a fazer isso ou aquilo foi crescendo dentro mim até eu decidir levar esta brincadeira a sério. Foi uma paixão avassaladora - fazer a comida e comer depois, era simplesmente uma experiência extraordinária. Virou profissão e junto com isso a paixão amadureceu para um verdadeiro amor.
Hoje nada me faz mais feliz que colocar uma expressão de prazer no rosto de uma pessoa por estar comendo uma comida que a faz lamber os dedos, raspar o prato ou pedir bis.

Por Clarice G.


3 de abril de 2013

L'Amour




A primeira vez que eu pisei na Índia tinha 25 anos e voltaria para o Brasil depois de oito meses. Chegando, meu primeiro pensamento foi: “aonde eu vim me meter dessa vez”. Pânico, confusão, medo e muito, muito calor.

Para os que não sabem, sendo bem genérica e grosseira, a Índia é outro planeta no Planeta Terra, algo que defino como países impossíveis. Morei no sul daquele país, numa cidade longe de ser cosmopolita como Mumbai ou Nova Délhi.  Era realmente o fim do mundo.

Passados cinco anos desde essa aventura, passei a entender a célebre frase de Nietzsche, que diz que é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela brilhante. No meu caso, a estrela brilhante se chamava Amor. Eu encontrei o Amor em um lugar sem esperança e quando não estava procurando. Não tinha tempo de pensar nisso, estava muito ocupada sobrevivendo. E o Amor, como todas as coisas de Deus, não é óbvio.

Essa estrela brilhante transformou oito meses em cinco anos. Minha mala só com roupas de verão teve de ser rearranjada para enfrentar temperaturas europeias do mês de novembro. Não voltaria mais ao Brasil. Minha nova morada seria na Bélgica, país que até então só conhecia pelo seu tamanhinho e sua cerveja, mas que jamais poderia imaginar que lá moraria sem ao menos ter visitado. Pois bem, o Amor. Virei uma “Love refugee” como meus amigos gostavam de falar. Troquei um caminho certo por um desconhecido. Mas, de novo, eu gosto não só de países impossíveis, como coisas impossíveis. Hoje, do “alto” dos meus 31 anos, me pergunto de onde saiu tanta coragem. 

Aí, olho para as minhas costas e vejo uma cicatriz que diz “a sabedoria não está na razão, mas no Amor”. Foi do Amor que veio essa coragem.

Hoje, estou ansiosíssima, esperando que onze longos dias passem rápido. Porque, dessa vez, eu vou receber meu refugiado, que vem ficar ao meu lado, deste lado do mundo, lugar que eu chamo de minha casa. 


Por Letícia

27 de março de 2013

O Peso do Amor, o Peso da Dor



Penso que ao longo da vida constantemente somos chamados ao desprendimento em algum nível, como se fôssemos ensaiando para quando tivermos que nos desprender por fim desse mundo.

Eu sei que este é um tema pesado para alguns, mas um dia desses fui visitar uma senhora que tem Alzheimer e não quis deixar de compartilhar pelo menos um pouco do que aprendi.

A vida pediu à senhora o desprendimento da consciência de ser no tempo presente. E à sua família e às pessoas que a estimam, pediu o desprendimento do significado que eles têm para ela.


É difícil pra gente que vive tentando reforçar os laços que nos unem aos outros pensar que o sentido da vida está no desprendimento.

É o cativar do Pequeno Príncipe, da amizade que brota risos e lágrimas.


O amor tem essa leveza do prender em liberdade.

Amamos, mas somos sós.
E somos sós porque somos livres.
A liberdade é nossa condição, 
o amor, nossa luta diária.

Por Alice

20 de março de 2013

Timeline do Amor


1984 – Nasci apaixonada.

1987 - Aos 3 anos aconteceu minha primeira paixão arrebatadora. Eu tinha certeza que eu ia casar com aquele menino loiro, lindo, de 15 anos, que sentava comigo todo domingo na igreja.

1989 - Aos 5 anos mudei de país, mas o amor continuava ali, falando a mesma língua que a minha.

1990 a 1997 -Dos 6 aos 13 anos me apaixonava toda semana, sempre por algum sorriso diferente. Meus diários de vida sempre estavam cheios de corações, recibos de lugares em que fui com aquele menino especial, fotos, fotos dos boybands da época, poesias... E foi quando conheci meus amigos para a vida toda.

1998 - Aos 14 conheci o amor da minha vida. E eu soube no primeiro momento em que o vi (piegas, mas é verdade).

1998 a 2005 - Dos 14 aos 21 o amor deu lugar a outras paixões: segundo grau,  passar no vestibular, primeiro emprego,  faculdade,  uma vaga no mestrado...

2006 - Aos 21, o amor de 14 anos voltou na minha vida e mais uma vez tive certeza novamente que era ele, assim, fácil. Começamos a namorar, noivamos.

2007 - Aos 22 casei, na praça, para todo mundo ver.  E percebi o quanto amava minha mãe e meus irmãos quando saí de casa para a minha casa e vida de casada.

2008 - Aos 23 comecei a amar meu trabalho, a correr na rua, novas músicas, novos amigos para completar minha vida.

2012 - Aos 27 tive minha primeira filha. Dei o nome que mais amava no mundo. De um filme que amei assim que vi o cartaz.

2013 - Aos 28 o amor acontece a todo momento. Vejo minha filha e vejo o amor em pessoa.  Humanizado em 75 cm de altura, 10 kg de muita fofura.  Vejo que minha vida não poderia ser mais completa. Com ela, com ele e com todos eles a minha volta.

Como disseram Los Hermanos: para nós, todo o amor do mundo...

Por Japonesita

5 de dezembro de 2012

Entre estar só e ser só

A base do amor é a liberdade, porque a reciprocidade do amor depende da liberdade de ação de cada pessoa.
Cada pessoa tem um ponto de vista do mundo que a cerca.

Por que nos é tão dificil expandir os horizontes? Porque nossa visão é tão restrita?

Por que tendemos a ser tão sensíveis a nossa própria a solidão e na maior parte das vezes não nos sensibilizamos (ou sequer percebemos) a solidão dos outros?
Seria uma limitação da nossa física-corporal ou o modo como optamos em viver nossa liberdade de amar?




Alice