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26 de março de 2014

Tão longe, tão perto




Quando eu deixei a minha cidade, a minha família, os meus amigos, a minha casa e os meus cachorros para cair nessa imensidão que é São Paulo e começar a faculdade dos meus sonhos, eu não fazia ideia do que realmente significava isso. 
Não imaginava que ia ser tão doce e tão amargo. Não imaginava que ia me sentir tão distante e tão próxima.
Estar longe dói com frequência. Não fazer parte do dia-a-dia de quem você ama é uma ferida constantemente aberta.
Mas ao mesmo tempo carrego todas elas, seus rostos, seus jeitos, seus cheiros, seus sorrisos, carrego-as no meu coração de um jeito que eu não fazia quando estava fisicamente perto. A distância muda o amor. Mas não na intensidade, somente na sua forma. Aprendi a amar de longe, e isso alargou meu coração. Alargou tanto que já começo a amar tudo isso que me é novo na vida. E multiplicam-se os rostos que eu carrego comigo. 
Me vejo alegre. Alegre porque fui capaz de escolher e minha escolha me transformou. Hoje vivo com mais peso. Com mais sentido, mais direção e mais magnitude (veja só, sou quase um vetor!). 
Mas a alegria maior está em saber que a mudança não termina. Viver é mudar, e crescer, e transformar, e aprender, e lutar. E em meio a tudo isso a gente ama. Ama os outros, ama as lutas, ama os dias. E o que era no início amargo se torna, gradualmente, cheio de doçura.


Adélia 

9 de janeiro de 2014

Dick and Jane


A Jane veio me cumprimentar, me perguntava onde estaria o Dick quando me lembrei que ele tinha morrido. Já não me lembrava há quanto tempo, mas não a tinha visto desde então. Há dois anos que não vinha para o Alabama.
Desatei a chorar pela notícia recebida há meses (que não me fez chorar na ocasião).
Conheci a Jane e o Dick logo que meus pais chegaram no Alabama cinco anos atrás. Ficava admirada com a disposição deles de irem à missa todos os dias às 6e20 da manhã (apesar de aposentados ainda trabalhavam ajudando os imigrantes mexicanos). Lembro-me quando o Dick se apresentou para nós, disse que Dick e Jane eram os nomes mais óbvios para casais nas histórias americanas. Todos os dias, o Dick nos cumprimentava com um sorriso, esperando que déssemos boas noticias sobre a nossa adaptação.

Hoje quando vi a Jane sozinha desatei a chorar não só pela saudade que ela deve sentir do Dick, mas porque senti o mundo muito mais triste com a sua ausência. Não tinha me dado conta, mas acho que esperava encontrar o sorriso esperançoso dele logo na saída.

Mari

11 de dezembro de 2013

E se o tempo passa de qualquer forma...




Hoje faz 3 meses que coloquei minha vida dentro de meia dúzia de sacos plásticos a vácuo e fiz tudo caber dentro de dois volumes de 32kg. Faz 3 meses que deixei a 8300km minha casa, meu amor, família, amigos, cães, conforto, roupa lavada, sopa pronta no fogão e ainda  transformei um curso que já era longo em algo 12 meses maior. Vendo a minha antiga vida passar, sabendo que ela não vai esperar por mim e não há mais caminho de volta.


Que bom.


Que bom que tive a coragem que precisava, na hora que precisei. Que faço isso com o apoio da minha família, amor e amigos. E tenho essa chance que nem todos têm. Nunca mais serei a mesma e fico feliz com isso.


Aprendi que as “pessoas”, principalmente os “momentos com as pessoas”, são mais importantes que as “coisas”. Aprendi que usar por favor, obrigado e com licença não nos deixam mais pobres, muito pelo contrário. Que uma instituição de ensino que se preze precisa, acima de tudo, respeitar seus alunos. E que, de forma mútua, os alunos devem ter o mais imenso respeito pelos professores. Que diversas culturas podem e devem viver em harmonia num mesmo ambiente, sem rótulos, sem segregações e sem a necessidade de abrir mão da sua pátria de origem. Vejo também, com tristeza, que meu país está mais de 50 anos atrasado na cultura do esporte, e isso me entristece de verdade. O país do futebol, e das olimpíadas, não tem hoje o que eles já tem aqui (Canadá) há décadas. Mais uma prova que nossos atletas, técnicos e profissionais do esporte são verdadeiros guerreiros por ainda assim chegarem tão longe.


Vejo meus próximos 9 meses de forma muito promissora e especial. Quero aprender alguma coisa, mesmo que pequena, todo dia. A saudade é grande, mas o tempo está passando muito rápido. E se o tempo passa de qualquer forma, por que não fazer alguma coisa diferente com ele?  


“Uma mente que se abre a uma nova ideia jamais retorna ao seu tamanho original.” (A. Einstein)

Isabel Ziesemer Costa

14 de novembro de 2012

A minha mãe



A minha mãe foi sem dúvida a pessoa que mais amei e sou imensamente agradecida porque o que sou hoje devo em grande parte a ela. Se quando vivia já pensava nela, no que fazer para agradá-la, agora ela está mais presente na minha vida do que jamais esteve.
Quando rezo posso também falar com ela, porque sei que ela está bem perto de Deus.

Não há um dia em que não pense em ti, Mãe querida!

Nos seus últimos dias conosco eu tive a impressão de que era eu quem a ajudava a ser forte, a viver cada dia. Agora é ela quem me ajuda a ser mais forte e a viver melhor cada dia. Me ajuda mais do que antes, mais do que sempre me ajudou.

Saudade! 


Por J.