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9 de janeiro de 2014

Dick and Jane


A Jane veio me cumprimentar, me perguntava onde estaria o Dick quando me lembrei que ele tinha morrido. Já não me lembrava há quanto tempo, mas não a tinha visto desde então. Há dois anos que não vinha para o Alabama.
Desatei a chorar pela notícia recebida há meses (que não me fez chorar na ocasião).
Conheci a Jane e o Dick logo que meus pais chegaram no Alabama cinco anos atrás. Ficava admirada com a disposição deles de irem à missa todos os dias às 6e20 da manhã (apesar de aposentados ainda trabalhavam ajudando os imigrantes mexicanos). Lembro-me quando o Dick se apresentou para nós, disse que Dick e Jane eram os nomes mais óbvios para casais nas histórias americanas. Todos os dias, o Dick nos cumprimentava com um sorriso, esperando que déssemos boas noticias sobre a nossa adaptação.

Hoje quando vi a Jane sozinha desatei a chorar não só pela saudade que ela deve sentir do Dick, mas porque senti o mundo muito mais triste com a sua ausência. Não tinha me dado conta, mas acho que esperava encontrar o sorriso esperançoso dele logo na saída.

Mari

6 de novembro de 2013

Como o fermento no pão




Minha mãe tirou o pão do forno com frustração, a massa não tinha crescido o suficiente (ela achava que era por causa do frio).
O cheiro parecia o mesmo, o sabor estava diferente.
Perguntei quanto ia de fermento. Apenas uma colher de café, me respondeu.
E uma quantidade tão mínima poderia fazer tanta diferença?


Às vezes a gente tem impressão, até porque os jornais acabam por enfatizar mais as más notícias do que as boas, de que estamos mergulhados num mundo de corrupção e violência. Pensei que se os atos de amor, vivos como o fermento biológico, mesmo que mínimos, atuassem no mundo como o fermento no pão, haveria motivo de sobra para se viver com esperança.


Mari