Mostrando postagens com marcador crescimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crescimento. Mostrar todas as postagens

5 de junho de 2013

Do cativar e do cultivar

Desconfiava que eu não tinha sido feita para semear. Aprendi a depender de outras pessoas para cuidar das plantas de casa, até o dia que me encontrei com responsabilidade total sobre todas elas...

Tinha certeza de que todas as plantas já estavam previamente condenadas.

Minha maior surpresa foi perceber um dia que a plantinha que eu mantinha na janela só pela esperança de que alguma vez florisse começou a renascer. E eu comecei a ter esperança em mim mesma...

Uma amiga me disse que as plantas são muitos sensíveis que o segredo é regá-las sempre.

Acompanhei por semanas o crescimento do que no princípio era só um raminho verde. Até que num dia de muito frio e neblina, ao abrir janela, vi a tão esperada flor.

Nessa manhã, entendi com mais profundidade o sentimento do Pequeno Príncipe ao acompanhar o desabrochar da única rosa de seu planetinha.

Era a sua rosa.

Era inevitável que se apaixonasse...




Por Mari

1 de maio de 2013

O que é o amor?



A palavra “amor” sempre me intrigou. Não poderia ser um mero sentimento, difícil de ser diferenciado dos outros que aparecem quando somos atraídos por algo. Talvez, então, seria um ato louco da pura razão? Inconcebível! A inteligência conhece, mostra caminhos, mas a decisão é tomada pela vontade. “Ah, então a resposta está na vontade”, exclamei certa vez em voz alta, ingênua e kantianamente! A vontade sim é soberana, escolhe mesmo contra os conselhos da inteligência ou o movimento das paixões. Mas... nem isso me convencia até o final. O amor não poderia ser de domínio puro da vontade! Como imaginar o amor verdadeiro sem conhecimento ou emoções?

E, eis que assim “pulava” entre as potências do meu “eu” interior, buscando entender o amor, quando me apaixonei, perdidamente! Sim, uma flechada, sem aviso, sem defesas. E tudo aconteceu ao mesmo tempo: o sentimento não se satisfazia com o simples padecer e, por isso, a inteligência era intimada a conhecer mais e mais. E a cada nova descoberta do objeto amado, ensinada com ternura pela razão à vontade, esta última ia querendo com mais força, sem saciar, desencadeando novas explosões da sensibilidade e, ao mesmo tempo, levando-me a submeter todo o resto pelo “Amor”.

Nessa dinâmica, na qual me deixava escravizar e, surpreendentemente, tornava-me cada vez mais livre, o amor começou a mostrar a sua verdadeira face. “Não sou um produto da tua vontade, inteligência ou sentimentos”, parecia dizer-me. “Sou consequência de todo o teu ‘eu’ mais profundo em encontro com o sentido da tua existência”. “Desvendo quem és, teus desejos mais profundos, a tua vocação à felicidade; te conduzo a ser muito além do presente de ti mesma, sem perderes a tua identidade e, ao mesmo tempo, desenvolvendo ao infinito todas as tuas potencialidades”.

Percebi que o amor tem um objeto próprio. Para as pessoas, o verbo “amar” só pode ser conjugado em relação a um bem igual ou superior a nós mesmos – outra pessoa –, já que deixar-se arrastar por qualquer outro bem inferior seria enganar-se, trair a si mesmo e ao desejo inegavelmente humano de infinito. E deparei-me com a realidade de que o amor, misteriosamente, conjuga – e une! – momentos de repouso e atividade, dor e alegria, sacrifício e paz.

Hoje entendo que ainda não compreendo o amor plenamente; sinto que se o soubesse, não seria o verdadeiro. E estou disposta a ouvir outras versões dessa história. Só sei que, no meu caso, a cada passo de entrega/crescimento/enriquecimento sou mais eu mesma, mais feliz. E, mesmo nos momentos mais difíceis, não me trocaria por ninguém.

A apaixonada